terça-feira, dezembro 09, 2008

Uau!

Não dou muita bola pra essas marquetices do futebol brasileiro, mas essa é de doer. Os caras colocam uma camisa 9 do Corinthians à venda e em 8h eles venderam a incomensurável quantia de 60 UNIDADES, faturando cerca de 13 mil reais.

Sou só eu que achei pouco? Quantas camisas 9 do Ronaldo seriam vendidas se o fenômeno fosse contratado por time que acabou de subir pra série A do campeonato italiano, inglês ou quem sabe... equatoriano?

Leva-se em consideração também que poucos times no mundo têm uma torcida do tamanho da "fiel". Pior é que o apresentador e o repórter achavam aquilo um assombro.

Claro, foi o primeiro dia. Durantes as próximas semanas e ainda mais com a proximidade do natal esses números talvez cresçam. E bastante. Só não vi razão pra tanta empolgação. Principalmente da parte do Ronaldo. Ele deve estar meio puto.

Se na Itália, na Inglaterra e no Equador ele venderia mais (sim, a hipótese é minha, ok?), significa que a imagem dele está meio em baixa no seu próprio país.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Pra quê?

Recebi um projeto de espetáculo hoje. No meio de alguns lugares-comuns me deparei com um que tem me irritado profundamente:

"O Projeto não pretende apontar caminhos nem encontrar respostas, mas abrir uma reflexão..."

Então, pra quê fazer, não é mesmo? Muito "pós-muderno" essa falta de pretensão e consequentemente falta de coragem de colocar o cu na reta. Não aponto nada, não respondo nada, logo não corro o risco de errar.

Como público, eu quero respostas, mesmo que erradas, mesmo que pretensiosas. Mesmo que eu não concorde. Ou que ninguém concorde. O excesso de opções sem um norte, somado aos mais modernos antiansiolíticos, antidepressivos e outros antiqualquerporra têm feito muitos estragos silenciosos a nossa geração. Mas no sapatinho, com todo mundo sob controle, sem surtar e sem escândalo, ok? Aproveita e me passa outra porra de Rivotril...

Não que a arte seja a salvação disso, mas arte-xuxu é foda. Todo mundo quer dizer algo, mas ninguém tem nada a dizer. Ouça "Peng", do Stereolab. Laetitia sabe do que estou falando, e é claro, antes de mim. :D

Se eu quiser "abrir uma reflexão" eu faço isso no armário do meu banheiro. Aliás, faço isso todo dia. A escova e a pasta de dentes ficam lá dentro, atrás do espelho. Hmmm...Quando abro a porta do armário também abro outra reflexão, nesse caso até maior, de corpo inteiro...

Texto padrão de projeto padrão. Masturbação formatada no word. E tome Jandirão na secretaria de cultura! Periga ser aprovado.

Livro de Hitler ganha versão mangá no Japão

"Diversidade de temas

Apesar da East Press ser uma das poucas no mercado a trabalhar com clássicos da literatura mundial, o segmento de mangás no Japão já vem usando há anos os traços orientais dos desenhos para explicar diversos temas.

Relações diplomáticas com a China, degustação avançada de vinhos, epidemia da gripe aviária, parábolas da Bíblia e até a nossa capoeira já viraram mangá no país. O formato compacto, o baixo custo e a linguagem popular ajudam a transformar este tipo de publicação em sucesso de vendas."

Ou seja o cordel é o mangá do nordeste. Ou o mangá é o cordel do Japão. Enfim.

Como será que ficaria uma versão cordel de Mein Kampf? "A incrível história de Aldolfo bigode-de-vassourinha, que sonhava ser pintor e acabou no inferno por quase dominar o mundo"?


terça-feira, novembro 25, 2008

O tempo passa...

Hoje me peguei pensando em algumas pessoas por quem eu fiquei triste quando soube que morreram. Resolvi fazer uma lista:
- Syd Barrett (Não, eu não sou fã de Pink Floyd, mas gosto muitíssimo da fase "Barrett")
Me deu uma certa melancolia, não sei, talvez pelo talento desperdiçado no deslumbramento (ou no descontrole) do LSD.
"I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked, dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix..."
(O Uivo - Allen Ginsberg)
Ok, Eu sei que ele nem era da minha geração, mas quem não viu isso se repetir algumas vezes ao longo da vida? Sem nenhuma ridícula moralidade anti-drogas. Toda diversão tem um preço - see Emily plays!. Às vezes leva um Rafael Ilha (pior é que nem leva), às vezes leva um Syd Barrett ou outros como o próximo citado (ps: Eu sei que Barrett morreu velho, mas o cérebro dele já tinha morrido há mais ou menos uns 30 anos. Aquela carcaça parecia um veículo vazio)
- Mark Sandman (Sim, eu gosto pra caralho de Morphine)
Esse foi foda. Morreu no palco - parada cardíaca, provável over. Morou no Brasil (em Santa Teresa, onde mais um gringo moraria?) e tinha um talento pra band leader/ frontman raro. Todos os atributos pra terminar dando show por essas bandas. Mas não deu tempo.
Sempre imaginei que quando ele escreveu "Candy says she made arrangements for me in the sand" (Candy - do álbum "Cure for Pain") ele se referia a algum trabalho de macumba. Pra quem morou no Rio e em Nova Orleans o tema devia ser mais que comum. (encontrei traduzido num site como: "Candy disse que tomou providências para mim na areia". Talvez se "providência" fosse uma cerveja, poderia fazer algum sentido). Mas agora não vou mais poder perguntar. Saco.
- George Carlin
Esse eu descobri há relativamente pouco tempo. Stand-up comedian americano de uma estirpe que não existe mais - agora que ele morreu pode aumentar a ênfase da frase. Cínico, corrosivo, iconoclástico, resumindo: sensacional. Uma espécie de Costinha americano, mas com o nível mais alto e mais classudo também (eu adorava o Costinha, estou classificando apenas para efeito de comparação).
Não, eu não fiquei triste quando Airton Senna morreu. Daniela Pérez também não. Paciência. Claro que nunca desejaria que tivessem morrido. A fórmula 1 ficou muito mais sem-graça e o Raul Gazolla pode se assumir livremente, mas não bateu entende?
Mas continuemos...
- Timothy Leary
Pooorra, o que eu vou dizer? Um libertário, um louco, um gênio. Caralho, o coroa soube dar algum sentido à própria vida. Isso pra quem já tinha perdido uma esposa (que se suicidara alguns anos antes dele começar suas experiências com Psilocibina) e com duas crianças pra cuidar não é bolinho não. E pra quem pensa que era doideira, as experiências eram sérias, ok?
- Albert Hoffmann
Esse valeu. O maior agente de viagens da história :D
- Paulo Autran
Se eu nunca tivesse visto nada dele, ou se ele nunca tivesse atuado na vida, apenas minhas lembranças dele em "Guerra dos Sexos" com Fernanda Montenegro já bastariam pra ele estar aqui. Pior é que eu detesto novela e era bem novinho na época, então nem lembro de nenhum momento específico, mas apenas de boas sensações e muitas, muitas risadas...
Se formos pensar na lista dos que morreram-antes-que-nos-déssemos-conta-que-existiam essa lista prolonga a noite toda. Graham Chapman por exemplo.
Eu me lembro que fiquei triste com a morte do Costinha, do Renato Russo, do Chico Science. Menos que os citados acima, mais do que a média (por favor não inclua seus próprios familiares e amigos. Perdas particulares causam dores particulares). Eu chorei com a morte do Tancredo, mas eu era muito pirralho e estava envolvido com a comoção ao meu redor. Certamente minha reação hoje seria mais cínica, até porque Tancredo morreu antes de sê-lo. Foi santificado pelo que talvez fizesse, pelo que representava mas não legitimou.
Na verdade esse post é um rápido momento melancólico sobre o tempo. Outro dia dando aula eu citei "Zico" e "Airton Senna" e percebi que meus alunos sabiam VAGAMENTE de quem eu estava falando. Daqui a 20 anos essa minha lista vai fazer pouco sentido para as novas gerações
. E é sem esses referenciais à sua volta que você percebe que o tempo passou, que você ficou sozinho e que, bem amigo, está chegando a sua hora. Hei! O que diabos a enfermeira está fazendo com uma foice? :D

segunda-feira, novembro 24, 2008

Atacaaamaaaaaaa!!!

Porra, não vejo a hora de parar, sentar, olhar em volta e ficar embasbacado. Acho que verterei uma lágrima em nome de tantos anos sem férias.
Convém tb dar uma checada na pressão. Ao menos em teoria, um hipertenso deve manter distância de um salar. ;)

Ok, mas foi roubo...

Tudo bem que o empate praticamente selaria nossa impossibilidade de sermos campeões, mas que o Simon precisa de óculos, de caráter ou de aposentadoria isso é certo. Fica a gosto do freguês.
E o motivo pelo qual o Léo Fortunato fez aquele pênalti estava evidente desde o primeiro tempo. O time do Cruzeiro estava com 3 palmos de língua pra fora. E o Diego Tardelli tinha acabado de entrar, fresquinho, novinho em folha. Só somar A+B.

!osodrac ordep aviv

Vou aderir à campanha do Pedro Cardoso ao inverso. Depois do "vamos banir a pornografia da dramaturgia" eu sugiro um "Vamos banir a dramaturgia da minha pornografia".
Filme pornô com historinha e atores se esforçando pra dar o melhor do que aprenderam em alguma "acting school" americana é de fuder. Com a paciência.

segunda-feira, julho 02, 2007

Ode a scooter

Comprei uma scooter de 50cc a quase um ano atrás. No início todo mundo me olhou como se eu estivesse entrando na crise de meia idade muito cedo, ou tivesse tirado carteirinha de membro Kamikazi.
Na verdade nem um nem outro. Apenas me pareceu que, para um freelancer com destinos variados - quase sempre na zona sul carioca ou centro - e morando numa cidade cada vez mais engarrafada, a opção MAIS INTELIGENTE seria uma scooter.
Pragmatismo puro.
O mais engraçado é que do outro lado - os motociclistas - quando eu comentava que iria comprar uma moto eu ouvia sempre a mesma frase:
- Pô bacana, etc etc...Mas não desanima na primeira queda não, tá? É normal.
É sério, eu ouvi essa frase umas 5 vezes. Achei que fosse mandamento de motociclista. Mas hoje eu vi que é verdade...Acho que até diria isso pra um iniciante :)
Sim, eu caí uma vez, logo no segundo mês. E foi ótimo. Primeiro porque não quebrei nada (mas ralei que foi uma beleza...). Segundo porque fiquei menos abusado
(foi exatamente depois que coloquei álcool no raladinho da queda) - o que você acaba ficando depois que pega a prática.
A despeito de tudo que dizem sobre os ônibus se jogarem em cima de você, dos carros te fecharem ou dos capacetes adulterarem selos do INMETRO, as piores coisas de você começar a andar de moto no Rio de Janeiro são: buracos e pedestres. Nessa ordem.
Você acha o Rio de Janeiro esburacado? Mas você acha isso a partir do banco do seu automóvel, taxi ou busu (vulgo ônibus)? Você não sabe de nada. Os buracos do Rio são como os playboys classe média da Barra: você acha que eles não são de nada, mas com tantos juntos um invariavelmente pode te quebrar. Lembre-se, o pior buraco que seu carro encarar pode quebrar um eixo, no máximo. De moto vai ser um queixo.
No mínimo.
Será que a prefeitura pode ser processada por tentativa de homicídio?
A segunda pior coisa é menos pior...pra você. São milhares de pessoas que ignoram a faixa de pedestre e atravessam em qualquer ponto da rua, sem ao menos olhar pra ver se vem uma moto. Ok, muitos vão argumentar que as motos não deveriam andar entre os carros. Bom, nesse caso estão os dois errados. Mas pode ter certeza que vai doer mais (muito mais) no pedestre. Atravessem na faixa, é melhor. :)
Outra característica interessante do pedestre: Toda vez que você passar do lado direito de um ônibus, principalmente se não for ponto de parada, um deles INVARIAVELMENTE se jogará sobre você. Confesso que nesse caso nem sei em quem vai doer mais. Ainda mais que, juntando os ônibus cheios e a excelente técnica de asfaltamento brasileira, o lado direito da rua sempre parece um trecho da Paris-Dakar.
Por isso evito andar desse lado pista.
Mas muito disso tudo é compensado com a agilidade, a clássica sensação de liberdade e é claro 10 reais de gasolina de duas em duas semanas pra encher o tanque...Gasolina Podium, ok?
Sorry Periferia.

Aí, fala a verdade...

Quando disseram pra Monica Veloso que a imprensa tinha poder de foder com qualquer político ela não só entendeu errado (vocação jornalística, eu diria) como escolheu mal à beça.
Assim como quando disseram que legal na carreira de jornalista é quando você é capa, e de novo ela entendeu errado. Vai ser capa da Playboy.


segunda-feira, abril 23, 2007

VJing - explicando

Há 2 posts atrás eu falei do "Vjing". Como não tem verbete no Aurélio nem no Houaiss - nem nas versões digitais :) - eu mesmo explico.

VJ = Video Jockey. Ou seja, um similar ao já mais que conhecido DJ, só que com imagens.

VJ não é aquele zé ruela que fica tentando concatenar um monte de nomes de banda e o que fazer com as mãos na MTV. Chamam até de VJ, mas me parece um termo equivocado, uma vez que o zé ruela não discoteca absolutamente nada, não pilota nenhuma imagem. E agora que a MTV não passa nem clipe então, nem imagem eles têm pra pilotar. Viraram todos apresentadores de programa - o que a maioria sempre foi, inclusive.

VJ é aquele cara que fica colocando umas imagens naquela festinha descolada que você vai no fim de semana. Não, aquilo não é um plugin do winamp! Inclusive se você for a uma festa que o DJ use winamp e o VJing for um plugin, vá até a bilheteria, pegue seu dinheiro de volta, compre bebidas, chame os amigos e faça isso você mesmo na sua casa. É mais honesto e mais barato. Não alimente os picaretas, já temos muitos por aqui...

O Vj está ficando cada vez mais popular. Um reflexo do barateamento constante do "setup" envolvido. Projetores mais baratos, laptops mais acessíveis e...vói là! Um ou mais Vjs por festa no Rio de Janeiro.

Pra quem quiser saber se eu vivo disso a resposta é categórica: NÂO. Se eu gostaria? Sim, mas como me é peculiar, não apenas disso. o VJing é uma atividade que faço por puro prazer. O prazer infantil de concatenar imagens com música e tentar dizer coisas que penso acreditar que as pessoas entendem. Nunca saberei elas entendem mesmo, quiçá se tentam entender. Pombas! Elas estão numa festa! Quem tenta entender coisas numa festa? :)

Recentemente estive fazendo VJ para o programa +POP (JBTV - antiga CNT -, às 18h). No final me entrevistaram e uma pergunta que eu sempre me faço acabou surgindo:

- "Onde isso vai parar? Qual o futuro do VJing?"

A verdade é que não sabemos. Ninguém sabe. Isso passa necessariamente por uma futura mudança de interface, taxas de processamento cada vez maiores (sim, cada salto qualitativo dos computadores amplia muitíssimo nossos horizontes) e uma busca de "qual afinal é o nosso papel nessa zorra toda?"
Estamos sempre interligados a música - bem, 98% das vezes pelo menos - seja em festas, raves, shows. Somos um complemento visual a um formato de estimulação auditiva que foi disseminado há cerca de 35 anos com a disco (no caso das boates) e há uns 45 anos com os primeiros shows de rock. Talvez daqui a pouco a música precise de nós irremediavelmente. Talvez sejamos os primeiros dos próximos tipos de estimulação complementares ao ritual de sair de casa pra ouvir música.
O que me incomoda um pouco são algumas pessoas que buscam uma explicação "neuroqualquercoisa" para o "movimento". Ou ficam tentando buscam uma linguagem com alfabeto próprio que atingiria o alvo (no caso o pobre "bebum" fequentador da festinha) criando uma compreensão subliminar...enfim não é exatamente isso não, mas já podem perceber que o assunto às vezes pode se tornar uma punheta sem fim.

A criação de imagens está cada vez mais acessível, abundante e a manipulação cada vez mais fácil. Essa é a razão da popularização. Além disso é impossível estudar linguagem sem estudar o aparelho fonético. Nosso aparelho fonético está em constante mutação - ainda. Ele é muito maior do que imaginávamos há 15 anos e muito menor do que será daqui a uma década. Toda linguagem por enquanto será puramente estética, toda comunicação um acidente. Meio que como os "UGA BUGA" da caricatura de Neanderthal. A gente faz "UGA", o povo da pista faz "BUGA" e nesse meio termo, a gente vai se divertindo. ;)



domingo, abril 22, 2007

Novo post sobre o cigarro

Em 3 de fev de 2004 eu fiz um post sobre o cigarro e essa política esquizofrênica de fazer o vendedor de drogas vender o quão mal a a própria droga faz.
Tive a sorte de parar de fumar há uns 10 meses. Defino como "sorte" porque todo mundo diz que é a coisa mais difícil do mundo e eu achei bastante fácil. Daí concluo que deve ter sido sorte.

Na verdade volto nesse assunto porque apesar de ex-fumante não me tornei um chato. Acho importante que as pessoas tenham liberdade para fumar se assim desejarem, livres de pentelhos apoiados em falsas estatísticas que ficam acusando você fumante de ficar disseminando o câncer pelo mundo.

Por exemplo: fumante passivo. É claramente um mito.

Vamos raciocinar: Há algumas décadas (e dizem, até hoje na França) fumar era um hábito social aceitável, comum e até mesmo admirado. Fumava-se nos bares, cafés, na rua, nas residências. Enfim, fumava-se pra cacete. Nossos índices de câncer por outro lado não diminuem, apenas aumentam.

Claro, isso não é o dado principal desse sucinto manifesto em prol da liberdade individual. Pra quem não sabe, o início dessa "onda" de caça aos fumantes e de divulgação dos possíveis males do fumante passivo vem - quem imaginaria? - dos EUA. Mais especificamente de Nova York.

A campanha anti fumo calcada nos males do fumante passivo se baseava num dado inicialmente assustador: o fumante passivo tem O DOBRO de chances de ter câncer no pulmão em comparação a alguém sem contato direto com o fumo. Mais do que um motivo pra se acabar com o cigarro, certo?

Errado. Como bem sabemos, americanos e estatísticas se dão muito bem e costumam trabalhar um a favor do outro quando interessa. Pois bem, o fato é que a possibilidade de alguém contrair câncer no pulmão ao longo da vida é de cerca de 0,00015% (depois eu confirmo com precisão esses dados). Ou seja, o fumante passivo - que dobra suas probabilidades - passa a ter 0,00030% de chance de contrair o mesmo câncer.

"É o dobro, não importa", dirão alguns. Eu digo: estatisticamente ambos são irrelevantes e essa droga toda começou por causa da estatística, não?

Para mim continua um mistério porque certas questões de fôro (esse acento existe de fato?) cultural são cegamente copiadas dos modelos americanos. Sim, isso se refere mais especificamente a política de combate ao comércio de drogas, leves ou pesadas, legais ou ilegais.

Um americano raramente está fazendo alguma coisa certa. Quando está é pelos meios errados. Quando os meios são os certos, certamente as razões são erradas.

A razão do autor dessa campanha anti tabagismo em Nova York? Processar em milhões de doletas as indústrias de tabaco. O resto é história.

Sim, cigarro é um lixo e seria bom se todos perdessem esse hábito. Mas isso AINDA deve ser uma decisão pessoal, né? Porque se é pra ser arbitrário, peloamordedeus, fechem a fábrica da Campari. Aquilo é horroroso.

OAB e Air Race

Alguém na sociedade civil tem que dar um toque no pessoal da OAB...talvez alguém da imprensa, quem sabe?
Não, acho que não. A imprensa hoje em dia não está mais interessada em informar do que vender historinha escabrosa.
O fato é que a OAB está se especializando em ser e fazer o contrário do que a sociedade civil espera dela. Um ranço coorporativista impregna a entidade.

Quando tivemos sérios problemas nos sistemas carcerários (nós os temos ainda) a OAB se recusou a aceitar que seus advogados pudessem se submeter a revistas na entrada dos presídios. Mesmo que soubéssemos todos - e mesmo eles - que uma corja de "adevogados" (sic) seja o principal fornecedor de celulares, drogas e armas pra dentro das casas de detenção. Uma espécie de revendedor Vivo com boca de fumo e Wal-Mart, só que delivery!
O espantoso é que se os advogados passassem a ser revistados, eliminaríamos uma importante variável na equação "quem fornece armas, celulares e drogas para os presídios?". Restariam apenas os funcionários do presídio...Mas aí teríamos que fazer alguma coisa, e quem quer isso por aqui?

Agora durante essas investigações da PF o que me surpreende não é o relaxamento de prisão de alguns acusados. Isso deve estar previsto na lei, e lei é pra se cumprir. O que me deixa ATÔNITO é esse tipo de declaração:
- "É lamentável que o procurador-geral da República apresente uma denúncia contra o ministro sem que tenha sido dado a ele o mínimo direito de se defender. É inaceitável." Antonio Carlos de Almeida Castro, advogado do ministro Paulo Medina, do STF.

É inaceitável? Pombas, se isso não é coorporativismo não tenho palavra melhor pra descrever isso, eu me rendo. Vamos aos fatos:

1- O Sr. ministro, assim como todo cidadão brasileiro (a lei é igual pra todos ) terá direito de se defender. No tribunal. Ou já estamos prendendo ministro do STF sem julgamento?
2- O Sr. Antonio Carlos - vulgo "o adevogado" - acha inaceitável o procurador-geral não dar a dica pro bandido esconder as provas antes da PF chegar. Veja bem: "inaceitável".
3- Antonio Carlos de Almeida etc. (ô nominho longo - o indivíduo tem síndrome de realeza) é mais conhecido nos meios do poder como "Kakay" (hmmm...que meigo). Já "adevogou" para Roseana Sarney (lembra dos dólares na mesa?), José Dirceu (lembra do...da...enfim,você lembra.), Salvatore Cacciola (graças ao Kakay esse aí FUGIU. Tá na Itália até hoje). É apresentado como
especialista em "crises de imagem". Ou seja, é o cara pago pra fazer o capeta ficar com cara de bom moço.

Donde se conclui que Kakay chegou para reestabelecer a imagem de alguns acusados ilustres. Donde eu concluo que: uma vez cliente dele, provavelmente boa coisa você não é. ;)

PS: Outro dia durante um "VJing" (explico isso depois pra quem não souber) tive um problema de cabeamento e algumas imagens ficaram com a cor trocada durante a projeção. Configurado o problema de imagem rezei pra São Kakay pra ver se a crise se atenuava. Nada. Trocamos o cabo e tudo se resolveu. Ou seja: Crise de imagem? Troque seus contatos!

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Quase não vi nenhum avião nesse sábado. Vi sim milhões de pessoas espremidas na praia de Botafogo, Urca e adjacências. Uma pena, fiquei muito curioso de como seria essa corrida, mas pelo jeito não fui o único.
No único momento que vi um avião daqueles subindo e fazendo um loop, no final da volta, tive uma ilusão de óptica e pensei ter visto Marco Aurélio dando uma banana pra gente. Típico de etapa no Brasil - ainda mais no Rio de Janeiro. Vale Tudo.

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Depois de ontem já imaginei como vai ser o trânsito no PAN. Recomendo andar com uma barraca de camping ou saco de dormir dentro da bolsa. E torcer pra estar indo na direção contrária ao evento.

sexta-feira, abril 20, 2007

3 anos!?! Isso sim é um lag de respeito

Cara, não posto aqui desde de 4 de fevereiro de 2004. Ou seja, faz muito tempo. Na verdade eu confesso que a vida foi ficando corrida, corrida e eu ESQUECI que tinha um blog. Quando lembrei, achei que era tarde demais pra recuperar e achei que a conta tinha sido desativada.

Eis que a Google resolve comprar o blogger (o Google quer me comprar também, mas estamos em negociações - não, não posso citar valores) e eu imagino se o pobre e abandonado blog não está lá ainda.

Putz! Está.

Só nos resta aproveitar esse espaço não divulgado
de egotrip e dar algumas opiniões a respeito do mundo. Mesmo que ninguém se importe :)

Ps: Pablo is back. Isso sim é uma boa notícia
Ps2: é um videogame ótimo, ainda compro um.
Ps3: tá muito caro ainda
Ps4: Hã...err...bem...de 2004 pra cá eu CASEI (coro de decepção feminina). É...fazer o quê se a patroa é boa de papo?

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

O Sono Impera.

Tenho que parar urgentemente com essa mania de dormir às 5 da manhã...
Logicamente você deve estar pensando que eu estou numa ressaca infernal, depois DAQUELA night frenética, né?
Sua sorte é que eu fiz um juramento de evitar palavrões nesse blog, mesmo sendo meu.

O motivo real desse serão foi puramente trabalho.

Finalizando trilha para o "Entre 4 Paredes", com suas devidas documentações. Além de finalizar a filipeta da festa do meu amigo DJ Tito (vide links aí do lado) - Paradiso. Momento propaganda: Agora todo sábado, na Casa da Matriz!!!

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ...

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Coisas que eu não entendo...

Há alguns dias saí pra comprar meu cigarro (sim, eu fumo sim, e daí?) percebi que havia algo estranho...
A fita de abertura tinha sido deslocada pro meio do maço. Abri e dei de cara com uma novidade: um folheto explicativo listando todos os malefícios do fumo, e dando N motivos pra niguém começar a fumar. Da perda de fôlego, passando pela má-formação fetal até o câncer. No fim, descubro que o folheto é todo baseado em dados da própria Phillip Morris, numa "campanha de conscientização". Tinha até um disque "pare de fumar". Hmmmm...

Dois dias depois eu abro a Época (não, não tinha nada melhor pra ler...enfim) e dou de cara com um anúncio da própria Phillip Morris falando sobre o cigarro na juventude. A melhor parte era algo como: "Ninguém quer que os jovens fumem...Nós também não!" (pois sim...)

Frente a isso você chega a uma dessas conclusões:

a) O CEO da Phillip Morris está em busca da canonização.
b) A indústria do tabaco encontrou a maneira mais hipócrita do mundo pra se livrar de processos milionários.
c) Por que não param de encher o MEU SACO e me deixam fumar o meu cigarrinho em paz?

Seja for a opção escolhida, raciocine comigo:

Se cigarro é droga, vicia e hoje é obrigado a vir com bula auto-depreciativa, por que não liberam o restante das drogas?
Todos poderíamos comprar maconha e cocaína, devidamente embalados e com bulas explicativas sobre os possíveis riscos do uso e abuso da substância. A única coisa que faria diferença na hora da decisão sobre "usar ou não usar" seria o que deveria guiar a vida de todos nós: livre-arbítrio.

Acabaria o stress com poder paralelo, altos custos com repressão de tráfico etc etc...Todo mundo pagando imposto bonitinho.
Assim como a indústria do tabaco, que de tão atacada, virou um exemplo "boa vontade corporativa" (Isso existe? Fala aí, Michael Moore!!!)

Cachaça é droga que mais mata nesse país. E a bebida mais vendida DO MUNDO é a caninha 51 (coitado de quem compra. Ô cachacinha ruim!!!)

Pelo menos não precisamos ficar aturando os sucessos da propaganda da Hollywood...lembra do Phenomena Two? Argh!!!

Segundo Post

Quase tão rápido quanto o segundo.

Estou falando diretamente do trabalho, em um janeiro como sempre devagaaaar, quase parando.
Aqui.
Em casa, mil trabalhos, quase todos sem grana a curto prazo. Investimentos de carreira, devo dizer.
Permaneço meus dias lendo os jornais e me perguntando aonde isso vai parar. A política interna funciona (sem entrar em considerações sobre se isso vai dar certo ou não) ainda na base do grito, da bravata e da demagogia. O Estado do Rio permanece sob jugo evangélico.
Na política externa a hipocrisia é tão descarada que concluí que não há diferença entre políticos de primeiro e terceiro mundo. Nem no primeiro mundo os políticos são um pouco melhores. O Iraque que o diga.

Quinta-feira estréia "Entre 4 Paredes", na Sala Paraíso do Teatro Carlos Gomes. Bendito seja Sartre!

Estou lendo "Império" de Michael Hardt e Antonio Negri. Falo disso porque tive uma discussão com um amigo historiador outro dia (o baixista do Supercordas - www.supercordas.kit.net) e sua opinião é que, apesar de ser uma belíssima teoria, caiu por terra junto com 99% das outras após o 11 de setembro.
A verdade é que quanto mais leio, mais discordo. Assustadoramente óbvio. Assustadoramente profético.

Antes desse, o deleite: Neuromancer.

Nunca fui um fã incondicional de ficção-científica. Gosto, ponto.
Mas como leitor voraz, sempre ouvi falar desse clássico cyberpunk de William Gibson. Mais ou menos desde os 15 anos. Algumas vezes o busquei em sebos e afins, ao menos sempre que eu me lembrava. Não era reeditado com frequência.
Eis que há cerca de uns 15 dias entrei numa livraria pra comprar um presente, a caminho de um jantar, e descobri que em função do sucesso da trilogia Matrix reeditaram Neuromancer.
Matrix?! Como apesar de supracitado pela cultura geek (antes mesmo de ter esse "nomitcho" ridículo) eu não sabia nada do enredo, resolvi matar de um vez só duas curiosidades: comprei Neuromancer na hora.

É foda. E realmente foi a inspiração-mor dos irmãos Wachowski. Claro, não foi a única.
Mas o livro é mais do que um "embrião" de sucesso da Warner Bros.
Pra quem vive cercado de firewalls e proxies por todos os lados, assistindo a anatomia subvertida pelo bodymodification enquanto mapeiam seus genes em busca de sabe-se lá o quê, Neuromancer parece deliciosamente contemporâneo.
Tu vai ver como a Monsanto ainda vai vender pâncreas a granel... ;)
Se eu tivesse lido esse livro com quinze anos meu constructo ROM seria bem diferente.

Enquanto o mundo gira eu preparo o próximo show do noramusique. Tenho que parar de dormir às 3:00 da manhã...






PRIMEIRO POST

Primeiro post...

Assim que o cérebro atingir o "overload" dessa semana, eu descarrego.

Não vou desejar boas vindas porque esse blog, inicialmente, é para ninguém.